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domingo, 28 de dezembro de 2014

Grécia – que país é esse?!

Se algum dia, me fosse dada a chance de viajar a apenas um único país, durante toda a minha vida, eu escolheria a Grécia, sem sombra de dúvida. Não estou dizendo que é o melhor país do mundo, mas, certamente, um dos mais interessantes! Quem gosta de História pode me entender. É muito bom ver, ao vivo, tudo aquilo que a gente estudou no colégio! 

Atenas

Lá, eu senti o tal "mal de Stendhal" - os sintomas são palpitações, falta de ar, crises de choro, pressão alta... tudo em função do excesso de beleza. O poeta sentiu isso quando esteve em Florença, pela primeira vez.

Acredito que a Grécia está no imaginário de qualquer turista, assim como esteve no meu, por muito tempo! É que eu adorava as aulas de História Geral e Cupido, Troia, Sócrates, Édipo alimentaram a minha imaginação. Aos poucos, fui construindo o desejo de conhecer a terra de Onassis - aquele armador grego, baixinho, bem diferente do que imaginamos quando falamos em deuses gregos.

Quando esse desejo já estava bem estabelecido, uma noite, voltando para casa, recebi um telefonema da minha amiga Corina, perguntando se eu não gostaria de ir à Grécia. Falei que daria a resposta no dia seguinte (depois de fazer umas contas), mas já cheguei em casa decidida: mamãe, vou à Grécia!

No dia seguinte, falei com minha chefe, que é uma pessoa apaixonada por viagens e sabe que viajar é mais importante que muita faculdade. Ela me liberou na hora e fui providenciar a passagem. Corina embarcou dois dias depois para Londres, a trabalho, e quatro dias depois, eu embarquei. Combinamos nosso encontro no Heathrow, um dos aeroportos mais movimentados do mundo. Nosso voo seria dali a duas horas de um terminal diferente do que eu havia chegado e teria que correr para não perder o voo. Corina já deveria estar no embarque. Levei mais de uma hora para chegar lá. Tive que pegar um ônibus de um terminal para outro, peguei várias esteiras rolantes, subi e desci várias escadas rolantes, um caos. Enfim, encontrei minha amiga. O encontro foi uma verdadeira festa. Primeiro, porque tínhamos nos encontrado. Segundo, porque iríamos á Grécia!


                 Corina e eu há alguns anos - parceiras de muitas viagens

Desde então, foi uma alegria só. Rimos por toda a viagem. Tudo era muito engraçado. Ou a gente estava muito feliz. A começar pelo avião da companhia aérea grega. Ele tinha quadros pendurados na paredes! Eu acho que nunca vi nada assim....

Chegamos a Atenas 11 da noite, sem nada reservado. Pedimos uma informação sobre hotel no aeroporto e pegamos um táxi. O motorista corria muuuuuuuito, assim como todos os outros, como constatamos depois. E, detalhe: eles vão pegando os clientes pelo caminho...é só levantar o braço! Finalmente, chegamos ao nosso hotel: era péssimo, assim como o recepcionista: um grego típico de cabelo desgrenhado, rústico, digamos. Mas nós estávamos tão cansadas e tão felizes, que resolvemos ficar por ali, mesmo. Pelo menos a localização era ótima, bem no buchicho - o bairro de Plaka, ao pé da Acrópole.




No dia seguinte, acordamos cedo e seguimos para o cartão postal da cidade: a Acrópole - a pé. Incrível ver aquilo tudo de perto! Apesar de todo o calor que fazia - estávamos no mês de junho - a identificação com a cidade foi imediata. Tratamos de comprar logo uma roupa - calça de blusa de algodão, brancas - que eles usavam. E quando vestimos, éramos duas gregas. O povo até nos pedia informação!

Acrópole - o Parthenon foi construído em homenagem à deusa Atena, protetora da cidade, há mais de 2500 anos.
Cariátides - as originais estão no pequeno museu da Acrópole
Atenas vista do alto


                                                   Corina com Atenas a seus pés

Corina e eu em meio à restauração do monumento
Enquanto estávamos na alturas, embasbacadas com a vista da cidade, o museu e as cariátides, alguém abriu a minha bolsa e tirou a minha carteira com dinheiro e cartões. Só descobri quando descemos e fomos almoçar num dos restaurantes ao pé da Acrópole. Quando fui pagar, cadê a carteira? Ainda voltamos para ver se tinha esquecido numa lojinha, mas não encontrei nada. O resto da viagem foi viabilizada pela minha amiga Corina. Quando chegamos, acertamos as contas. 

Naquele ano, 2001, a Grécia estava se preparando para as Olimpíadas e perdemos de ver o Museu Arqueológico, que é o mais importante do mundo, no gênero. Ele estava sendo restaurado, assim como muitos monumentos da cidade. Caminhamos muito por Atenas e percebemos uma cidade moderna, com suas avenidas largas, arborizadas, seus bares fervilhando, repletos de turistas e locais - os gregos adoram sair à noite e celebrar a vida!

Corina e um incrível por do sol em Santorini
Quatro dia depois, rumamos para Santorini, uma das duas mil ilhas do país, cada uma com seus encantos. Não dá para dizer qual a melhor, a mais bonita...

                                                       lá, tudo é branco e azul


                                                    a chegada em Santorini

Passar alguns dias em Santorini, uma das mais badaladas entre as centenas de ilhas do país, é uma necessidade da qual só se tem ideia depois de ter ido lá. Num extremo, estão as praias de areias vulcânicas da vila de Kamari, onde as pessoas passam o dia “lagarteando”, todas em busca do bronzeado perfeito, sem marcas de maiô ou biquíni, para exibi-lo à noite, no outro extremo da ilha: na capital, Fira, onde acontecem as intermináveis e animadas noites de Santorini, onde o grande barato é ver o pôr-do-sol num dos românticos restaurantes de frente para o vulcão e dançar sobre as mesas, nos animadíssimos bares da vila, até o dia amanhecer.
Chegávamos no hotel por volta das 7 da manhã, mas não perdíamos muito tempo dormindo. Às 11, já estávamos indo à praia.


                                                         paisagem dos deuses!


                        nas águas geladas do mar Egeu - cadê o povo?

Depois de Santorini, seguimos para Mikonos - outra ilha, das mais concorridas, nos meses de julho e agosto, auge do verão. Nessa época, a ilha lota de gente que chega de todos os lugares do planeta em busca de sol e diversão. É também um paraíso gay, o espaço mais liberal e democrático para gente de todos os sexos, destino obrigatório para quem quer conhecer a verdadeira liberdade. Chegamos a pedir informação para ir a um espaço hetero! Graças a Deus, conhecemos uma alemã que nos deu uma dica: Scandinavian - bar, restaurante, danceteria.


                                            na night de Mikonos

Nas praias de Paradise, Super Paradise e Eliá, banhadas pelo geladíssimo Mar Egeu, turistas de todas as idades, tamanhos, cores e religiões passam o dia a confraternizar, a festejar, a agradecer aos deuses do Olimpo a dádiva que é estar vivo e naquele paraíso.  Na Grécia, não existe “praia de nudismo”. Em qualquer uma é possível tirar a roupa, sem que ninguém se sinta ofendido – a tal da democracia em estado bruto! Confesso que fiquei meio assustada com tudo aquilo que passava por mim... mas logo me acostumei.


                      Corina devidamente adaptada à Paradise Beach

Assim como Mikonos e Santorini, outras ilhas igualmente belas e divertidas pontilham o Mar Egeu: Creta, Rodes, Paros, Ios, Milos, Kos são algumas das mais procuradas no verão, período em que elas “funcionam”. Definitivamente, uma infinidade de opções que mais confunde do que esclarece na hora da escolha. Escolher, mesmo, só a época: a segunda quinzena de junho é perfeita. Julho e agosto, altíssima temporada. O resto do ano, o sol não é garantido. E no final do ano, as ilhas "fecham".



                                            as ruas de Santorini


                                                 salada grega



Na volta, pegamos um voo de Mikonos para Atenas, outro de Atenas para Londres e por fim, um de Londres para São Paulo. A viagem foi inesquecível. Apenas o contratempo do roubo da minha carteira. O sol brilhou todos os dias, a diversão não tinha fim. E pra fechar com chave de ouro, o nosso voo pra São Paulo estava lotado e tivemos que voltar na primeira classe. Os deuses estiveram do nosso lado todo o tempo!
Uma dica para quem está pensando em conhecer o país: só viaje acompanhado se estiver apaixonado. Geralmente, quem vai a Grécia está em lua de mel ou em busca de. Portanto, as possibilidades de apaixonar por lá são muitas! E viver um romance num país como esse é garantir o melhor souvenir que se pode trazer de uma viagem.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Destino: ócio!

Quando fiz 50 anos, meu marido me deu o melhor presente que eu poderia ganhar: uma viagem. Era fevereiro de 2012 e, cansada com o ritmo de trabalho daquele ano, ele escolheu um destino que eu recomendo para quem quer, apenas, descansar: Punta Cana, na República Dominicana.
um verdadeiro paraíso

convite explícito ao ócio
Nessa época, eu morava em São Paulo, e vivia suspirando por uma praia... desejando a melhor, a de areia branquinha, de águas azuis ou verdes, transparentes e mornas, e contornada por um imenso coqueiral. Esse era o meu eterno sonho. E como João Miguel tem o dom de ler meus pensamentos e adivinhar os meus desejos, não teve dúvida: deixou-se seduzir pelo folder que prometia o paraíso na terra!

de pernas pro ar, em Punta Cana
E lá fomos nós para aquela aquela ilha dividida em dois países - Haiti e República Dominicana - que lidera a lista de paraísos possíveis no planeta terra.
Não é à toa que mais de 2 milhões de turistas passam por aquelas areias brancas, todos os anos. São casais em lua de mel, com filhos pequenos, na terceira idade, famílias inteiras, todos em busca das promessas de folders e pôsteres de divulgação. O azul turquesa do mar do Caribe e o sol sempre a postos são a isca perfeita para europeus, americanos e brasileiros ávidos por sol e em busca de tranquilidade. E poucos escapam dessa estratégia. Mas, sejamos sinceros, eles não exageram em nada. Punta Cana supera todas as expectativas. Por isso, o combo mar perfeito + sol garantido + sossego é tão requisitado.



Saímos de São Paulo às 14 horas e chegamos a Punta Cana às 18 - 2 horas a menos no fuso horário – a tempo de tomar um banho e escolher um dos restaurantes do resort para jantar. No dia seguinte, a programação era lagartear nas cadeiras à beira-mar, saborear os drinques coloridos servidos na praia do hotel e mergulhar nas incríveis águas cristalinas que banham o Caribe.




Os 8 quilômetros de areia branquinha emoldurados pelo coqueiral abundante impressionam. Mais de 40 resorts e hotéis 5 estrelas, que trabalham com o sistema all inclusive, oferecem spas, restaurantes japoneses, franceses e italianos, lojas exclusivas e até um cassino. Mas, para ser feliz, o hóspede nem precisa sair do hotel. A não ser que queira fazer os passeios que as agências de turismo locais oferecem. Nadar com golfinhos é um deles. O Dolphin Island Park é o endereço desses encantadores e inteligentes bichinhos. O lugar reúne piscinas naturais e quem tem coragem também pode se arriscar a chegar perto dos tubarões e das arraias. Mas eu nunca quis nadar com golfinhos, arraias e muito menos, com tubarões. Eu fui para Punta Cana para quarar sob o sol, dormir, comer e beber! Mas não pude resistir quando li sobre Saona. Trata-se de uma ilha preservada, que pertence ao parque Nacional del Este. Cenário cinematográfico, foi lá que gravam partes dos filmes Lagoa Azul e Piratas do Caribe.






A impressão que tive em Saona foi a de que o mar de lá tinha um azul mais intenso, era mais transparente, mais incrível! O passeio valeu, mas foi o único que fizemos. Também existe a possibilidade de ir à capital, Santo Domingo, que fica a 3 horas de ônibus. A cidade foi fundada pelos espanhóis em 1945 e exibe algumas relíquias da arquitetura da época. Dizem que quem visita a cidade costuma se surpreender. Mas também achei que Santo Domingo podia esperar. Durante 8 dias, exerci o meu direito ao ócio, festejei meu aniversário fazendo absolutamente nada. Apenas, observando a natureza, dormindo, comendo, bebendo e namorando. Tem coisa melhor?

terça-feira, 29 de julho de 2014

Nunca te vi, sempre te amei

Paris é assim: a gente ama antes de por os pés em solo francês. Isso porque ouvimos falar do país desde a escola, quando estudamos a Revolução francesa, Queda da Bastilha etc. Figuras como Luís XIV, Napoleão e Madame Pompadour nos são tão ou mais familiares quanto o nosso Duque de Caxias, por exemplo. Muitas vezes, os franceses são lembrados antes de brasileiros. Por exemplo: um filósofo dos tempos modernos? Sartre. E um filósofo brasileiro? Vamos precisar pensar um pouco mais ou corremos, logo, para o Google. E por aí vai.


Napoleão - um velho conhecido nosso

A França é o berço da civilidade, do Impressionismo, da moda, da culinária, dos vinhos, da perfumaria, dos cosméticos, do luxo e dos supérfluos! Paris, sua capital, é o destino preferido de quem está apaixonado, de quem terminou um relacionamento, de quem quer estudar ou, simplesmente, ser feliz. Em qualquer época do ano, idade ou situação, Paris é o melhor destino que se pode desejar ou oferecer.
Uma viagem à capital francesa pode ser transformadora, para muitos. E o mínimo de permanência, definitivamente, não existe. Por mais tempo disponível na cidade, o ideal é se programar para voltar outras vezes porque, claro, alguma coisa sempre vai ficar de fora.


Champs Elysées - uma das doze avenidas que convergem para a Praça Charles de Gaulle

as coloridas e deliciosas guloseimas parisienses

Tour Eiffel - o centro das atenções

tulipas de todas as cores no mercado de flores

A primeira vez que fui a Paris, logo percebi que, querer ver todo o Museu do Louvre em uma só visita, por exemplo, é impossível. São mais de 220 salas distribuídas em 3 andares, com mais de 5 mil peças. Como não tinha escolha, selecionei as minhas preferências: antiguidades egípcias, Renascimento e, claro, as obras mais famosas: Monalisa, Vitória de Samotrácia, Vênus de Milo, Escriba Sentado, Código de Hammurabi, além de Rafael e Goya.


O Louvre e as centenas de visitantes todos os dias

Vitoria de Samotrácia e seu drapeado famoso

Monalisa

Escriba Sentado - meu preferido

Outro museu que vale a pena visitar é o d’Orsay. O prédio foi projetado para a exposição da virada de século, em 1900, mas virou estação de trem e, depois de ter passado 47 anos fechado e ter escapado de ser demolido na década de 70, reabriu em 1986, como museu – diga-se de passagem, um dos mais bonitos da cidade. Seu acervo é dos mais significativos. Lá, estão em exposição permanente: a Bailarina, de Degas; As Portas do Inferno, de Rodin e o Almoço na Relva, de Manet, entre tantas maravilhas. Estas são algumas das obras que contribuem para fazer deste museu um dos mais importantes do mundo.


a antiga estação de trem que virou museu. 

Dúvida cruel: o que é mais bonito, a estrutura ou o conteúdo do museu?

A Bailarina

a Porta do Inferno - quem não quer vê-la de perto?

Le Moulin de la Gallete, de Renoir

Sempre gostei de caminhar pelas ruas das cidades que visito. E em Paris, esse pode ser o melhor programa. Basta disposição. A cada esquina, rua, prédio ou monumento, história, história e mais história contada da forma mais simples e lúdica, o que confirma a tese de que viajar é a melhor escola. As inúmeras pontes, todas com nome, história e personalidade própria, tornam possível ir de um lado para outro sem problemas. A Pont des Arts é famosa pelos cadeados deixados nas grades, pelos casais apaixonados. A prefeitura até já andou limpando a ponte, mas novos cadeados surgiram. Sinal de que o amor sempre vence! 

Na rive gauche fica o Quartier Latin, o pitoresco bairro dos artistas, intelectuais e estudantes da Sorbonne, sede da Universidade de Paris. Aliás, deram este nome ao bairro justamente porque o Latim era a língua falada por eles. A Place Saint Michel é o coração do bairro, palco dos acontecimentos mais importantes, como as revoltas estudantis de maio de 1968. Ainda no Quartier Latin, o Musée de Cluny, cujo nome oficial é Museu Nacional da Idade Média. Ele guarda uma importante coleção de arte medieval; o Boulevard Saint-Michel, com seus cafés, livrarias, restaurantes, lojas e cinemas reúne moradores, frequentadores do bairro e turistas; a Rua Galande era o endereço dos ricos do século XVII, mas hoje é conhecida pelas suas animadas tavernas; o Panthéon, outra referência do bairro, é fruto de uma promessa a Sainte Geneviève, feita por Luís XV. Sua construção levou 26 anos e lá estão os restos mortais de Jean-Jacques Rousseau, Victor Hugo e Emile Zola.   
O Jardin du Luxembourg é o máximo da arquitetura francesa. Entre as atrações naturais estão as laranjeiras, nogueiras e palmeiras, os gramados, o orquidário e o pomar. Mas, encontramos, também, estátuas de rainhas da França, escritores, artistas, fontes, quadras e tênis e espaço para crianças brincarem. No verão, os turistas se juntam aos parisienses para tomarem sol, lerem ou ouvirem a música de bandas que tocam no coreto próximo à entrada do Boulevard Saint Michel.

Saint-Germain-des-Prés, que também fica na margem esquerda do Sena, é outra área interessante, com seus prédios do século XVI, e sua fama de lugar frequentado pelos filósofos existencialistas, atores, músicos e escritores, entre eles Sartre, Simone de Beauvoir, Juliette Grecco, Hemingway e cineastas da Nouvelle Vague. Ainda hoje, turistas e jovens escritores se dirigem para o Les Deux Magots ou Café de Flore na esperança de sentar nos mesmos lugares que seus ídolos ou, simplesmente, ver gente famosa.

Uma cidade para ser contemplada

Para ver a Torre Eiffel, rume para Hôtel des Invalides, que tem esse nome por causa de um hospital que Luís XIV mandou construir para abrigar os veteranos feridos e desabrigados. O prédio, de tão imponente, acabou dando nome à área, onde tudo é de uma proporção monumental. Trata-se de um dos locais mais privilegiados de Paris, com as aristocráticas casas das ruas Varenne e Grenelle, os edifícios luxuosos das avenidas que circundam a torre e várias embaixadas. O dourado teto da Igreja Dôme é visto de longe. Ali, estão os restos mortais de Napoleão, num sarcófago vermelho, bem no centro da cripta circular. Podemos dizer que o desejo de ter as suas cinzas repousando às margens do Sena foi quase atendido, uma vez que a Dôme fica a alguns quarteirões do rio.




Do lado direito do Hôtel, fica o Musée Rodin, do maior escultor francês do século XIX. Por muitos anos, Auguste Rodin morou numa mansão do governo e, em troca, deixou toda a sua obra para o país. No museu, estão algumas das mais conhecidas obras do escultor: O Beijo, O Pensador, Burgueses de Calais, Balzac e Portas do Inferno.

Em meio a tantas preciosidades, a Torre Eiffel ainda é a grande vedete – da área, da cidade e do país. E está entre os monumentos mais conhecidos e visitados do mundo. Construída para a Exposição Universal de 1889, a torre chegou a ser criticada, muitos desviavam o caminho para não ter que olhar “aquele monte de ferro fundido”, mas ela acabou por conquistar moradores e turistas. Os 320 metros de altura podem ser vencidos por um elevador que ainda utiliza o mecanismo original. Nos dias mais quentes, em função da expansão dos metais, a torre cresce 15 cm. No primeiro andar, um pequeno museu conta a história da torre através de um filme onde, em algumas cenas, aparecem Charlie Chaplin, Adolf Hitler e Josephine Baker como ilustres visitantes do monumento. No segundo andar, o restaurante Jules Verne serve a divina culinária francesa. E, do terceiro, a vista é das melhores, podendo, nos dias claros, alcançar até 72 km de distância.

Champs Elysées - uma avenida cheia de história e atrações


A avenida mais famosa de Paris é a Champs-Elysées - o metro quadrado mais caro da cidade. Nela, foram comemorados grandes acontecimentos: as vitórias nas duas guerras mundiais, o bicentenário da Revolução, e é o palco preferido para comemorar os réveillons, Copa do Mundo, além dos desfiles cívicos e militares. Com uma largura incrível, as calçadas são amplas, ideais para acolher os milhares de turistas que lotam a avenida em busca de bares, restaurantes, lojas e cinemas. Tomar um café numa daquelas mesinhas da calçada ou sair caminhando sem destino é uma das melhores opções se o objetivo e ver e ser visto. Cercando a avenida, palácios, jardins, mansões e teatros. A Champs-Elysées é uma das 12 avenidas que começam na Place Charles de Gaulle, onde fica o Arco do Triunfo, a promessa de Napoleão aos seus soldados pela vitória na Batalha de Austerlitz.
Nesta importante avenida, no número 104, morou o brasileiro Alberto Santos Dumont. Nesse endereço, podemos ler que ali o inventor, construtor e piloto brasileiro, pioneiro da Aeronáutica, aterrissou o seu dirigível no. 9.

O Arco do Triunfo talvez seja o monumento mais bonito de Paris. Embora a praça onde esteja localizado se chame Charles de Gaulle, os franceses a chamam de Etoile – por causa das 12 avenidas que formam uma estrela. Do alto do arco, dá para ver essa formação, assim como o trânsito em torno – caótico. Por isso, o acesso só é possível por um subterrâneo. Lá de cima também é possível apreciar a vista da Torre Eiffel, Montmartre a e igreja de Sacre Coeur, e a região de La Defense – centro financeiro de Paris. A arquitetura contemporânea, as obras de arte espalhadas e o arco de 110 metros de altura não conseguem ser ignorados, apesar do contraste que fazem com o resto da cidade. Lá estão os maiores prédios da capital francesa – 72 prédios de aço e vidro, 14 arranha-céus com mais de 150 metros de altura, mais de 150 mil trabalhadores diários. A visita vale a penas, mesmo que seja para falar mal depois.

La Defense ao fundo - para a alegria de uns e desgosto de outros

Bordéis, igrejas, artistas e personagens
No século XIX, Montmartre era considerado, pelos cidadãos mais bem comportados de Paris, um antro de depravação. Artistas, escritores e poetas eram freqüentadores dos bordéis, teatros de revista, cabarés e demais estabelecimentos que definiam a reputação do bairro. A vida noturna era bem animadinha e, por muitos anos, fomentou a inspiração de muitos artistas. Certamente, deve ter alimentado, também o imaginário dos puritanos de plantão. Melhor do que ninguém, Manet, Toulouse-Lautrec e Degas retrataram esse clima de luxúria nos seus quadros, onde é possível reviver toda a atmosfera do bairro. Nessa área, os destaques são os dois museus: Musée d’Art Naïf Max Fourny e de Montmartre; a Place du Tertre reúne retratistas; La Mère Catherine, o restaurante preferido dos cossacos russos em 1814, explica a origem da palavra “bistrô”: impacientes, os clientes russos gritavam “bistro!”, que significa “rápido” em russo. 

Mas o grande chamariz do bairro é a inconfundível basílica romano-bizantina de Sacré-Coeur, toda branca, que fica no alto da colina. Para subir, se não quiser usar as escadas, o funiculaire fica no final da Rue Foyatier. Lá de cima, a melhor vista de Paris, seus telhados, cúpulas e prédios que sobressaem no horizonte. Uma dica é visitar Sacré-Coeur no final da tarde, para aproveitar o por do sol, curtir os artistas de rua, observar a arte que se espalha pelas calçadas e jantar num dos muitos e pitorescos restaurantes da Praça Montmartre. Muitos franceses não gostam de Sacré-Coeur. Consideram-na de gosto duvidoso, dizem que as formas arredondadas não são elegantes e contrastam com outros monumentos “bem aceitos” da cidade.
A cidade vista do alto

Sacré-Coeur no alto da cidade

um dos muitos artistas de rua
a vida em Montmartre é uma festa!

Outras igrejas imperdíveis são a Sainte-Chapelle, Saint-Germain-l’Auxerrois, Saint-Jacques, Sainte-Madeleine, Saint-Denis e, a mais famosa de todas, Notre Dame, localizada na Ile de la Cité, o berço da cidade. A catedral é uma obra-prima gótica e consumiu intermináveis 170 anos de trabalho. Nela, foram coroados Napoleão e Josefina, além de outros imperadores e vários reis. Também foi cenário para o famoso Quasímodo, personagem de O Corcunda de Notre-Dame, de Victor Hugo, apaixonado pela cigana Esmeralda. Mas, também foi palco de violência, quando revolucionários a transformaram em templo do culto à razão e depósito de vinho. Graças a Napoleão, o mundo a teve de volta. Todos os domingos, às 16:30, antes da missa das 18 horas, a igreja oferece concertos de órgãos, com entrada gratuita. Durante todo o ano, também são organizados concertos de música sacra. A entrada é gratuita, mas a visita às duas torres é paga. Definitivamente, os 400 degraus. A vista que se tem é das mais bonitas e ainda dá para ver as gárgulas de pertinho.


Notre Dame

Perto dali, fica uma das 10 melhores sorveterias do mundo, a Berthillon, fundada em 1954. O carro-chefe da casa é o sorvete de morangos silvestres (fraises de bois), mas as opções são muitas. Tudo é feito artesanalmente, com ingredientes naturais, sem corantes ou conservantes, e frutas da estação selecionadas. Por isso, a carta de sabores pode variar de acordo com a época do ano. Sendo que, entre a segunda quinzena de julho a o final de agosto, os sorvetes não são fabricados, nem mesmo para os revendedores espalhados pela cidade.

E assim como é impossível ver tudo o que Paris tem a oferecer, numa só viagem, é frustrante terminar aqui sem falar do Museu de Rodin, do Centre Pompidou, das galerias de arte, dos sebos charmosos, dos jardins, do Marais, dos cemitérios, dos palácios espalhados pela cidade, do Café de la Paix e sua decoração do século XIX, da Ópera, dos românticos boulevards, da magnífica culinária... enfim, visitar, ler, escrever, sonhar com Paris é assunto para várias encarnações. Como dizia Hemingway, Paris não tem fim. E não tem, mesmo!